Há uma expressão que particularmente detesto: “Você precisa pensar fora da caixa”.
O problema dessa expressão é que ela parece sugerir que a inovação exige, necessariamente, abandonar o conhecimento convencional, como se os fundamentos fossem uma limitação a ser superada.
Mas há uma diferença importante entre ir além dos fundamentos e simplesmente ignorá-los.
Pensar fora da caixa pressupõe, antes de tudo, conhecer profundamente o que existe dentro dela. Afinal, como alguém pode propor algo verdadeiramente inovador se ainda não compreende os princípios que sustentam o conhecimento já estabelecido?
Infelizmente, observo que muitas das pessoas que mais defendem a necessidade de “pensar fora da caixa” são justamente aquelas que demonstram pouco domínio dos conhecimentos fundamentais da própria área.
E aqui está o paradoxo: a inovação consistente não nasce da ignorância dos fundamentos, mas do domínio deles. Questionar o conhecimento estabelecido é parte essencial do avanço científico, mas questioná-lo com propriedade exige, primeiro, compreendê-lo.
Curiosamente, o Strength and Conditioning Journal (SCJ) possui uma seção intitulada “Dentro da Caixa”, escrita por pesquisadores de reconhecida competência científica.
Talvez a verdadeira dificuldade não esteja em pensar fora da caixa, mas em reconhecer o quanto ainda precisamos aprender sobre o que está dentro dela.
Afinal, não se supera aquilo que sequer se compreende.