Publicado hoje no Journal of Sports Sciences, um estudo inovador reuniu especialistas internacionais para analisar e definir o conceito de treinamento funcional. O que eles descobriram? O termo, amplamente utilizado no meio esportivo e do treinamento físico, foi considerado redundante e possivelmente dispensável. Utilizando o método e-Delphi, os pesquisadores demonstraram que os critérios que caracterizariam um treino como "funcional" já estão naturalmente incorporados no próprio conceito de treinamento bem estruturado. Assim, surge a questão: o termo treinamento funcional ainda faz sentido?
A análise dos especialistas revelou que a definição de treinamento funcional se sobrepõe ao próprio conceito de treinamento. Os principais critérios apontados como definidores do "funcional"—como especificidade, individualização e adaptação às demandas individuais—já fazem parte dos princípios básicos do treinamento físico. Em outras palavras, todo treinamento bem estruturado deveria ser "funcional" de acordo com esses princípios.
Diante dessa constatação, os pesquisadores questionaram se o termo deveria continuar sendo usado. Se todo treinamento pode ser analisado dentro de um continuum de funcionalidade, onde o grau de adaptação às necessidades individuais determina sua efetividade, então o rótulo de "funcional" se torna supérfluo.
Após várias rodadas de discussão entre os especialistas, a seguinte definição foi proposta:
"Treinamento funcional é uma abordagem física de intervenção que contribui para a melhora do desempenho humano, de acordo com os objetivos individuais, seja no esporte, na vida diária, na reabilitação ou no fitness, considerando a especificidade da tarefa e a resposta única de cada indivíduo."
Entretanto, mesmo com essa definição, o estudo sugere que o termo "treinamento funcional" pode ser desnecessário. Afinal, qualquer planejamento de treinamento que respeite a individualidade e a especificidade das tarefas já cumpre esses critérios sem precisar de um nome à parte. Nesse sentido, a própria distinção entre "treinamento funcional" e outras formas de treinamento poderia ser eliminada sem prejuízo para a prática ou para a ciência.
Este estudo reforça que o conceito de "treinamento funcional", da maneira como tem sido usado, não agrega valor real à ciência do treinamento. Em vez de classificar métodos ou exercícios como "funcionais" ou não, o ideal seria analisar o grau de funcionalidade de cada intervenção dentro do contexto do indivíduo. Com isso, os pesquisadores sugerem que o termo pode ser abandonado, evitando confusões conceituais e garantindo uma abordagem mais científica e objetiva para o treinamento físico.
Para acessar o artigo completo: DOI: 10.1080/02640414.2025.2477393.