Respostas hormonais agudas a diferentes protocolos de treinamento resistido

  • 01-04-2025

O estudo conduzido por Smilios e colaboradores (2003) teve como objetivo analisar os efeitos do número de séries sobre as respostas hormonais agudas (testosterona, cortisol e hormônio do crescimento – hGH) em três protocolos distintos de treinamento resistido: força máxima (FM), hipertrofia muscular (HM) e resistência de força (RF). Onze homens treinados participaram de sessões compostas por quatro exercícios multiarticulares (supino reto, puxada, agachamento e desenvolvimento militar), realizando os três protocolos com variações no número de séries.

Protocolo de força máxima (FM): 5 repetições a 88% da 1-RM (80% para desenvolvimento militar), com intervalos de 3 minutos. Foram testadas 2, 4 e 6 séries por exercício.

Protocolo de hipertrofia muscular (HM): 10 repetições a 75% da 1-RM (68% para desenvolvimento militar), com intervalos de 2 minutos. Foram testadas 2, 4 e 6 séries.

Protocolo de resistência de força (RF): 15 repetições a 60% da 1-RM (52% para desenvolvimento militar), com intervalos de 1 minuto. Foram testadas 2 e 4 séries, uma vez que 6 séries se mostraram excessivamente extenuantes.

Resultados principais

1. Testosterona: Independentemente do número de séries ou do protocolo adotado, não foram observadas alterações significativas nas concentrações séricas de testosterona. Este achado reforça a ideia de que esse hormônio pode ser menos sensível aos estímulos agudos do exercício resistido, especialmente em indivíduos treinados.

2. Hormônio do crescimento (hGH):

  • No protocolo FM, as concentrações de hGH aumentaram apenas após a execução de quatro séries, sendo que a realização de seis séries não gerou maiores incrementos.

  • Nos protocolos HM e RF, a execução de quatro séries gerou aumentos significativos nas concentrações de hGH em comparação às sessões com duas séries. Entretanto, no protocolo HM, a adição de uma sexta série não promoveu elevação adicional do hGH.

  • Comparando os protocolos, o protocolo RF induziu as maiores concentrações de hGH, seguido por HM, sendo o protocolo FM o menos efetivo nesse sentido.

3. Cortisol:

  • O protocolo FM não elevou significativamente os níveis de cortisol, independentemente do número de séries.

  • No protocolo HM, tanto quatro quanto seis séries aumentaram os níveis de cortisol, sendo que duas séries não produziram mudanças significativas.

  • No protocolo RF, quatro séries geraram um aumento significativo de cortisol. Duas séries também elevaram os níveis em comparação com o controle, mas em menor magnitude.

  • De modo geral, o RF gerou maiores elevações de cortisol do que os demais protocolos quando duas séries foram executadas.

Interpretação e implicações

O número de séries exerce impacto sobre as respostas hormonais, particularmente em protocolos voltados à hipertrofia e resistência de força. No entanto, existe um limite a partir do qual o aumento no número de séries não gera incrementos adicionais nas concentrações hormonais. Especificamente:

  • A resposta hormonal ao protocolo de força máxima mostrou-se pouco sensível à variação no volume (número de séries).

  • Os protocolos HM e RF, por outro lado, apresentaram aumento de hGH e cortisol com a elevação do volume até quatro séries, sem ganhos adicionais com seis séries.

  • A ausência de resposta da testosterona sugere que outros mecanismos, como a ativação de receptores androgênicos ou alterações intracelulares, podem ser mais relevantes do que os níveis circulantes.

A magnitude e o perfil das respostas hormonais variaram entre os protocolos, refletindo suas demandas metabólicas específicas. O hGH, com múltiplas funções anabólicas e metabólicas, foi mais responsivo a protocolos com maior volume e menor intensidade relativa, como o RF. Já o cortisol respondeu à elevação do volume em protocolos mais glicolíticos, indicando maior estresse metabólico.

Esses dados reforçam a importância de considerar o número de séries como uma variável determinante nas adaptações hormonais e, potencialmente, nos desfechos de longo prazo de programas de treinamento. Contudo, vale ressaltar que tais respostas são apenas parte do processo adaptativo, e fatores como ativação neural, sinalização intracelular e histórico de treinamento também devem ser considerados.

Referência:
Smilios, I., Pilianidis, T., Karamouzis, M., & Tokmakidis, S. P. (2003). Hormonal Responses after Various Resistance Exercise Protocols. Medicine & Science in Sports & Exercise, 35(4), 644–654. https://doi.org/10.1249/01.MSS.0000058366.04460.5F



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