As avaliações físicas são fundamentais para
a prática de exercícios físicos e para a compreensão do estado físico dos
indivíduos. Elas fornecem dados essenciais que auxiliam na prescrição de
treinos, no monitoramento do progresso e na identificação de possíveis
limitações físicas. No exercício profissional da Educação Física, as avaliações
físicas, não constituem uma etapa acessória ou opcional da intervenção, mas sim
um pressuposto técnico e ético para a prescrição, orientação e acompanhamento
das atividades físicas, do treinamento e do esporte. Avaliar é a condição
mínima para conhecer o indivíduo, identificar riscos, estabelecer objetivos
factíveis e selecionar meios adequados de intervenção.
A ausência de avaliação inviabiliza
qualquer tentativa de individualização da prescrição. Sem informações sobre
condições de saúde, histórico de lesões, nível de aptidão física, experiência
prévia, limitações funcionais e demandas específicas da prática, a prescrição
do exercício torna-se genérica, imprecisa e potencialmente insegura. Nessa
condição, não é possível controlar variáveis fundamentais do treinamento,
tampouco interpretar respostas agudas e adaptações crônicas ao exercício.
Do ponto de vista ético-profissional, o
Código de Ética Profissional do Sistema CONFEF/CREFs (Resolução CONFEF nº
508/2023) estabelece que o Profissional de Educação Física deve assegurar um
serviço seguro, competente e tecnicamente fundamentado, bem como elaborar o
programa de atividades em função das condições gerais de saúde do beneficiário.
Esses deveres pressupõem, de forma inequívoca, a realização de avaliações
prévias e periódicas, uma vez que não há como garantir segurança, competência
técnica ou adequação do programa sem dados objetivos sobre o indivíduo .
Além disso, o mesmo Código veda condutas
que evidenciem inépcia profissional e a oferta de serviços que possam acarretar
danos aos beneficiários ou desprestígio à profissão. A prescrição de exercícios
sem avaliação caracteriza uma prática tecnicamente frágil, que ignora
princípios básicos da intervenção profissional e transfere o risco integral ao
praticante, em desacordo com a responsabilidade ética do profissional .
Assim, no contexto acadêmico e
profissional, é fundamental compreender que avaliar não é apenas uma boa
prática, mas uma exigência ética, técnica e legal do exercício da Educação
Física, seja em programas de atividade física voltados à saúde, seja no treinamento
esportivo de alto rendimento. As avaliações orientam a tomada de decisão,
permitem o acompanhamento dos efeitos da intervenção e constituem a base para
uma atuação responsável, segura e cientificamente fundamentada.