Atletas de endurance só treinam em alta intensidade?

ESTEVE-LANAO, J. O. N. A. T. H. A. N., et al. "How do endurance runners actually train? Relationship with competition performance." Medicine & Science in Sports & Exercise 37.3 (2005): 496-504.

O estudo estabeleceu relações entre a carga de treinamento de oito atletas corredores de cross-country e o desempenho nas suas principais competições da temporada (national cross-country championships, 4.175 e 10.130 m, respectivamente).

 

Eles realizaram o teste de análise direta de gases para determinação do limiar ventilatório (LV) e do ponto de compensação respiratório (PCR). Após isso, tiveram seus treinamentos monitorados longo de um macrociclo de 6 meses no tocante ao tempo total acumulado nas 3 intensidades de treino: zona 1 (baixa intensidade, abaixo do LV); zona 2 (intensidades moderadas, entre o LV e o  PCR) e zona 3 (alta intensidade, acima do PCR).

 

O tempo total na zona 1 (4581±979 min) foi significativamente maior (P<0.001) do que o acumulado nas zonas 2 (1354 ±583 min) e 3 (487±154 min). O tempo total na zona 2 foi significativamente maior do que o da zona 3 (P<0.05). Adicionalmente, um coeficiente de correlação de r = - 0.79 (P = 0.06) e de r = - 0.97 (P = 0.008) foi encontrado entre o tempo total na zona 1 e o desempenho dos atletas durante corridas de cross-country de curta e longa duração, respectivamente.


Os autores concluíram que o maior volume em intensidades menores (zona 1), pode estar associado as melhoras no desempenho durante eventos de alta intensidade, especialmente se a duração deles for de aproximadamente 35 minutos.